De modo geral, a mobilidade urbana é a Integração do transporte coletivo e o não motorizado de forma integrada. Quando bem planejada pelo poder público, ela afeta diretamente a qualidade de vida das pessoas, principalmente na parcela dos cidadãos que utilizam diariamente transportes públicos superlotados, consumindo horas do seu dia.

Os benefícios da mobilidade urbana

Entre os principais benefícios de uma mobilidade urbana bem planejada, estão, na redução na emissão de poluentes dos veículos, diminuição dos congestionamentos das grandes cidades do país, redução da poluição sonora, entre outras.

No Brasil, o termo ficou mais evidente, por conta do país sediar grandes eventos mundiais, como a Copa do Mundo de Futebol de 2014 e as Olimpíadas do Rio de Janeiro, em 2016.

Na época, muito se falava sobre mobilidade urbana, bem como os investimentos em transporte público, ciclovias e outros meios de locomoção.

Mas, quando o assunto é transporte público, cidadãos das grandes cidades vêm sofrendo há tempos, pelo baixo investimento da gestão pública. Como resultado, a mobilidade urbana em metrópoles como São Paulo e Rio de Janeiro, é um grande gargalo.

O ápice disso ocorreu em 2013, como as manifestações de julho, também, conhecida como “passe livre”. Apesar da grande mobilização de jovens em todo o país, houve poucas mudanças de lá para cá.

O Horário de pico, ruas e avenidas, retratam uma triste radiografia do comportamento social. Por um lado, ônibus lotados de pessoas, disputando centímetros, em busca de uma viagem mais confortável. Por outro, milhões de carros enfileirados, como em marchas fúnebres, sendo regidos pelos semáforos. Esses, por sua vez, ditam o tempo, o ritmo e, quem pode ou não passar.

O automóvel como símbolo de poder em uma sociedade individualista

Dentro dessa perspectiva, do ônibus, passageiros apertados como sardinhas enlatadas, percebem o automóvel, como um objeto de desejo a ser conquistado, aquilo que o coloca em outro status. Ou seja, a metamorfose de uma sardinha enlatada, para um tubarão dentro de sua piscina locomotiva.

Em um dos seus ensaios, o antropólogo Roberto Da Matta, professor da PUC-Rio, descreve como o carro se tornou um objeto de distinção, “O automóvel é uma opção que está em harmonia com o estilo aristocrático de evitar o contato com a plebe ignara, o povo pobre, chulo e comum, desde os tempos das liteiras e dos palanquins. A nossa preferência por formas individualizadas de transporte representa um retrocesso. Por outro lado, a onda desenvolvimentista de meados do século XX permitiu-nos os delírios de sermos donos de um carro como coroamento do sucesso indivi­dual…”, e observa, ”Os comportamentos bárbaros no trânsito resultam menos de questões de obras e melhorias materiais que do fato de que todos se sentem especiais, superiores e com direitos a regalias e prioridades que justificam o desleixo e a impaciência para com a norma geral materializada num sinal e numa faixa de pedestres…”.

Já, o transporte coletivo por sua vez, é algo, que iguala as pessoas, e retira das pessoas, uma busca pela valorização das hierarquias, como descrito por Marcos Sávio, historiador e professor da UFU, “O bonde, por exemplo, era visto como um meio ‘inadequado’, já que colocava, lado a lado, membros de classes separadas que sempre se segregam“.

Ou seja, pensar em mobilidade urbana, é ter um olhar com foco na democratização das relações humanas, bem como, perceber o outro, como um ser de direito, de ir e vir, independente do meio de transporte, ter dignidade e mais qualidade de vida.

Fontes:Tulio Kengi Malaspina, Marcos Sávio e Roberto Da Matta.