A Língua Orgânica |A resistência da língua portuguesa

A Língua Orgânica |A resistência da língua portuguesa

A língua de um povo está relacionada com a sua gastronomia, com o seu clima, com a sua paisagem, com os sons de sua natureza, com a firmeza dos pés em seu solo, como contemplam o Sol, a Lua e as forças da natureza, rios, ventos, chuvas e mares.

A língua é viva, orgânica e elo de um povo com a sua cultura. Logo, uma das melhores maneiras de colonizar uma nação e enfraquecendo a sua língua, rompendo sua cultura, transformando o seu olhar sobre o que é belo ao seu redor.

Assim fica mais fácil corrompê-la, introduzir novos sabores, novos padrões de beleza, novos sons, novas palavras, novos ícones produzindo um hiato profundo entre passado, presente e futuro.

Quando se fala em globalização, encontramos diversos livros e teses defendendo essa nova forma de colonizar povos, mas em meu ponto de vista a globalização é nefasta e maligna para uma cultura rica como a brasileira, hoje tão globalizada de fora para dentro, e aqui está o seu grande mal, sai muito pouco de nossa cultura em contra partida do que entra, hoje nas escolas, sábios professores e pedagogos, comemoram o dia de Halloween exaltando algo que nada tem haver conosco, com a nossa raiz, com a nossa gastronomia e historia, pouco se fala do nosso folclore, como se fosse algo pobre, feio e vergonhoso que deve ser jogado ao ostracismo e esquecimento, é melhor falar sobre doces ou travessuras, do que falar de Saci Pererê, Yara, Curupira, Negrinho do Pasteleiro, Boitatá, Mãe-D’água, Mula Sem Cabeça e outros que nos faz olharmos no espelho e saber de onde viemos, como fomos constituídos e quem somos.

Nossa língua é viva, permissiva, moderna e astuta, transformando em verbo o que não tem sentido como deletar, formatar, tuitar, uma sagacidade de quem procura sobreviver como erva daninha nascida no asfalto que sufoca suas raízes, mas não apaga a sua historia.

A Língua gastronômica

Quanto mais aproximamos de nosso individualismo, menos antropofágicos culturais tornamos, mais longe de nossas famílias base de nossa formação, compartilhada em uma mesa de jantar, trocadas por pacotes de sanduíches de fast-food.

Ao alimentarmos do nada, do vazio existencial de outra cultura, mais consumimos em uma busca viciosa de preencher um vazio provocado pelo hiato da globalização cultural, antropológica e política.

Um exemplo de resistência da língua gastronômica é encontrado no Bolívia, país fortemente enraizado na cultura Maia, um povo de forte rituais gastronômicos, que decidem o que alimentar a partir da interação familiar, heranças culturais, no compartilhamento de experiências coletivas no preparo dos alimentos, na degustação das historias, musicas e palavras dos seus antepassados e preservação de sua existência, quando isso é ignorado, o hiato da globalização não funciona e os modelos de sucesso como o McDonald’s, fecham suas portas, nesse caso não por interferência políticas do seu presidente, mas sim porque o chamado fast-food não faz sentido, não liga os bolivianos à coisa alguma…