Alzheimer – uma crônica sobre o amanhã

As vezes esqueço, e acredito vencer o Alzheimer, mas só esqueço…só esqueço. O sintoma de esquecer tão característicos dos portadores de Alzheimer me faz acreditar, lembrando vagamente dos jogos de infância nas Ladeiras paulistana com meu carrinho de rolimã.

Uma Crônica sobre o Alzheimer

Tudo é flash back, lacunas preenchidas por minha demência, que adormece meu lado racional e cognitivo que um dia criou prédios, ciências e fortuna fazendo parte da evolução humana.

Quanto mais me esqueço, mas confuso fico, tenho momentos de irritação e agressividade como se a fera impetuosa que me fez evoluir fosse morrendo lentamente em cada neurônio apagado como luzes de natal retiradas do pinheiro.

As vezes esqueço, e acredito vencer o Alzheimer, mas estou apenas me desligando da realidade.

Todos os dias, eu  vivo o ontem, mas não no sentido saudosista e sim como única fonte de minha memória.

Hoje tudo é tão ruim, tão fugas em minhas mãos e sem esperanças, mas por sorte só esqueço….só esqueço

 

Por: Davi Sant Anna 134 Artigos Contato
Formado em psicologia, e pós-graduando pela COGEAE - PUC-SP. Trabalhou por 18 anos no SENAC São Paulo, nas áreas de administração, e na coordenação de pós-graduação em gestão, turismo e gastronomia.Escreve sobre comportamento, educação e estilo de vida.