Análise e crítica do filme Biutiful

Por:Elton Almeida: O mexicano Alejandro González Iñarritu ganhou projeção logo em seu primeiro filme, Amores Brutos, uma produção de seu país natal focada em diversos personagens cujas vidas são abaladas por diversas turbulências, sendo que cada núcleo distinto acaba por se encontrar em algum momento da trama.

O sucesso de Amores Brutos o levou aos EUA, onde dirigiu o igualmente bom 21 gramas, com Sean Penn, Naomi Watts e Benício del Toro.

Em seguida veio o premiado – e superestimado – Babel, cujos núcleos agora não se restringiam apenas a uma cidade, mas sim ao mundo todo. Seus filmes também ficaram famosos pela montagem não-linear e, por vezes, confusa.

Seu novo trabalho, agora filmado na Espanha, em Barcelona, e falado em espanhol mantém suas principais características – personagens vivenciando dramas intensos, num retrato de um mundo cão – mas deixando outras de lado, como a montagem picotada e fora de ordem.

Crítica do filme Biutiful

Biutiful traz Javier Bardem no papel de Uxbral, um homem cuja profissão é relacionada a assuntos ilícitos – ele lida com africanos ilegais na Espanha, trabalhando com venda de produtos pirateados e com o uso de mão de obra de chineses, também ilegais.

Além disso, ele também é um médium, capaz de conversar com pessoas que acabaram de morrer. Sua vida pessoal é turbulenta; separado de uma mulher com problemas de bipolaridade, ele vive uma vida difícil tentando cuidar de seus dois filhos pequenos, ao passo que descobre que tem um fatal câncer, que o matará em pouquíssimo tempo.

O filme pode incomodar pelos exageros característicos de seu diretor, que adora personagens cheias de terríveis problemas. De fato, parece irreal que tanta desgraça aconteça às mesmas pessoas, no seu mesmo universo.

Mas, diferentemente de seus trabalhos anteriores, em que os diversos problemas e temas eram amarrados de forma problemática e o seu uso soava como pretensioso e como uma vontade de forçar ao extremo para parecer profundo e inteligente.

Resumo do filme Biutiful

Em Biutiful, com a limitação de personagens e núcleos e a opção por uma montagem linear – os dramas estão mais bem construídos e são melhor amarrados pelo roteiro – aliás, o primeiro dirigido por Iñarritu que não foi escrito por seu parceiro, Guilhermo Arriaga, com quem teve uma forte briga após Babel.

O diretor também mostra uma maior sensibilidade para com seus personagens e suas situações, dando, assim uma carga emotiva tocante e envolvente, que contribui também para aumentar o realismo e a nossa crença no que vemos.

Apesar das grandiloqüências e das cenas trágicas, talvez o que mais emocione e convença são os problemas mais pessoais, a relação do protagonista com os filhos e com a ex-esposa, a africana cujo marido é preso e fica sozinha com um bebê, o chinês dono de uma fábrica que tem um relacionamento amoroso com um homem.

A questão da mediunidade do protagonista, embora subexplorada e, às vezes, mal encaixada, é um ponto forte do filme, gerando cenas muito interessantes.

Iñarritu também é conhecidamente bom diretor de atores e cria com seu elenco interpretações marcantes.

Bardem está em um de seus melhores papéis, emocionante, e Marciel Alvarez, que faz sua esposa, compõe intensamente uma mulher que sofre de bipolaridade, dividida entre o homem que ama e os filhos e uma vida desregrada, uma hora agindo importando-se com sua família e sendo extremamente carinhosa, outra hora surtando com tudo e tomando atitudes irresponsáveis.

Talvez seja o melhor trabalho de Iñarritu e já representa um grande avanço comparado ao terrível Babel.

Ficha técnica:
Nome:  Biutiful
NOTA: 8,5
Biutiful. De Alejandro González Iñarritu. Com Javier Bardem.

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