Quando se fala em Carlos Zéfiro, logo vem a imagem de um homem que transgrediu as regras e normas, bem como, burlou a polícia, a religião e, a hipocrisia das décadas de 1950 e 1960 ao desenhar e publicar as revistas Catecismo.

Por décadas, o pacato funcionário público carioca Alcides Caminha viveu no subúrbio de Anchieta e de lá escondeu de todo mundo, inclusive da polícia, que era o desenhista Carlos Zéfiro, autor das famigeradas revistinhas de conteúdo adulto conhecidas como ‘catecismos’.

Com um currículo desse,  o famoso autor das primeiras publicações do universo masculino brasileiro, tinha uma vida dupla, afinal, Alcides Caminha, o nome por trás de Carlos Zéfiro, viveu boa parte de sua vida como um o funcionário público e, somente em 1991, assumiu sua identidade e paternidade sobre as revistas Catecismo.

Catecismo para os mais jovens eram pequenos folhetins com desenhos de conteúdo adulto, impressos em papel de baixo custo e desenhados à mão com caneta nanquim diretamente em papel vegetal em substituição de fotolitos.

Durante toda a época de sua produção Carlos Zéfiro utilizou diversas gráficas, tendo percorrido diferentes cidades brasileiras com objetivo de não deixar pistas sobre sua autoria. Essa estratégia foi fundamental, pois lhe valeu a liberdade nos anos de chumbo do regime militar, quando nesta época, foi instaurado uma investigação para descobrir o autor das revistinhas pornográficas.

Cada revista tinha entre  24 e 30 páginas e eram vendidas escondidamente em bancas de jornais  somente para adultos, mas isso não impediu que a molecada da época tivesse acesso, estima que os catecismo chegaram a ter 30 mil exemplares de tiragens, um verdadeiro sucesso editorial!

Carlos Zéfiro não tinha traços requintados em seus desenhos, mas compensava com muita simplicidade e textos que aproximavam muito da realidade da juventude da época, seus personagens eram pessoas comuns em momentos do cotidiano de seus atos sexuais.

Atualmente é muito difícil encontrar exemplares originais dos Catecismos, mas ainda hoje é um artigo de luxo e disputado por muitos colecionadores e saudosistas!

A Editora “A Cena Muda” do Rio de Janeiro, adquiriu os direitos de publicações de todas as obras de Carlos Zéfiro. Nos Sebos também pode ser encontrados alguns exemplares em suas estantes mais escondidas para reviver o tempo de transgressão das décadas de 1950 e 1960

Carlos Zéfiro é o pseudônimo do funcionário público brasileiro Alcides Aguiar Caminha com o qual ilustrou e publicou, durante as décadas de 1950 a 1970, histórias em quadrinhos que ficaram conhecidas por “catecismos”. O ilustrador faleceu em 1992, um ano após assumir publicamente a sua identidade e paternidade sobre as revistas Catecismo. Ele deixou um grande legado, sendo também um dos precursores do movimento underground e subversivo brasileiro!