O bairro de São Miguel Paulista, localizado na Zona Leste de São Paulo, vive uma constante e diversificada atividade musical. De tudo se ouve e se produz: Hip Hop, Bossa Nova, Rock, Reggae, Forró, Sertanejo, Maracatu… Desde que me dou por gente foi assim – e continuará sendo. Já andei pela cidade toda e posso dizer, apesar de declaração suspeita de morador e amante do lugar, que nunca vi gente tão ativa no campo da música.

Dúvida? Pode vir conferir. Basta dar uma volta pelas praças, bares, palcos e até postos de gasolina. Sempre vai ter alguém com um instrumento musical na mão, cercado de gente.

MPA: Arte, Política e Cultura

Mas dentre todas as bandas, cantores e grupos que São Miguel viu nascer, existe um que merece destaque não só pela musicalidade e criatividade de seus integrantes, mas também pela iniciativa política e ativismo: O MPA – Movimento Popular de Arte.

O MPA, formado por músicos e bandas como Sacha Arcanjo, Matéria Prima, Cecyro Cordeiro, Gildo Passos, Grupo Goró, Edvaldo Santana, Raberuan, Zulu de Arrebetá, Lígia Regina, Osnofa e Luís Casé, tornou-se influente não apenas na região, e abriu caminho para que todas as gerações de artistas posteriores pudessem mostrar seus trabalhos com a credibilidade de vir de um celeiro cultural muito respeitado.

No campo político, o grupo batalhou para a construção de um Centro Cultural em São Paulo, que no projeto original seria construído em um terreno na Avenida Nordestina (em frente ao antigo prédio da Telesp).

“Reza a lenda” que os governantes gostaram tanto da ideia que a realizaram com louvor… só que ao invés da concepção original em São Miguel, resolveram construir o Centro Cultural na Avenida Vergueiro n. 1000. Com isso, se São Paulo hoje conta com um belíssimo Centro Cultural, devemos isso às iniciativas do grupo de São Miguel Paulista.

Atualmente o MPA sobrevive pelas mãos de uma nova geração, que age como um grupo de atuação cultural e negocia, em conjunto com a Secretaria de Cultura de São Paulo, com a Votorantim pela doação de um terreno para a construção de um Centro Cultural em São Miguel (mais precisamente na Rua José Artur  Nova).

Como grupo musical, o MPA lançou um elogiado LP em 1985, mas infelizmente acabou se separando pouco tempo depois. Recentemente alguns membros se reuniram para uma apresentação comemorativa de 30 anos do grupo. Sacha Arcanjo, um dos integrantes e importante ator cultural de São Miguel, é hoje coordenador da Oficina Cultural Luiz Gonzaga, que fica na Rua Amadeu Gamberini, 259 – São Miguel Paulista.

Trailer do documentário ‘São Miguel, destino: Movimento Popular de Arte’

1978. O mundo passa por várias mudanças. Na zona leste de São Paulo, região de São Miguel Paulista, isso também acontece, e de maneira muito peculiar.

Dois pesquisadores iniciam um trabalho que culmina na descoberta de um celeiro de talentos artísticos em várias formas de expressão.

Nasce, naquele momento, o Movimento Popular de Arte, que acaba por trazer ao bairro artistas do quilate de Alceu Valença, Tetê Espíndola, Inezita Barroso, Tom Zé e Belchior, entre outros.

Não bastasse isso, o MPA também produz e interage com a sociedade local, legando ao mundo talentos como Edvaldo Santana, Sacha Arcanjo, Raberuan, Cléston Teixeira, Akira Yamasaki, Severino do Ramo, e muitos outros.