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O homem sem olfato

Que cheiro é esse da minha solidão, pois o que entra no meu peito, eu não consigo mais sentir,

Já não choro mais, pois o cheiro de cebola cortada não toca ao coração,

O hálito e o seu beijo eram fonte de desejo, e até isso não posso mais sentir

Vejo tudo ao meu redor, mas de todos os sentidos, não consigo respirar.

Minha memória aos poucos está se apagando.

A Triste Vida de Um O homem sem olfato

Não me lembro do cheiro da minha infância,

Não me lembro do cheiro materno,

Não me lembro do gosto da maçã,

E do giz que caia da lousa.

Páginas em branco vão se desenhando ao redor da ausência do meu olfato

As palavras estão desmoronando, não consigo mais ficar em pé,

Perdi a sensação de respirar, perdi o paladar que alimenta,

Perdi o gosto das manhãs.

Se recuperasse meu olfato agora,

Respiraria mais fundo o cheiro das flores,

Viveria mais os meus amores

E não adiaria tudo para o amanhã!

Por: Davi Sant Anna 132 Artigos
Formado em psicologia, e pós-graduando pela COGEAE - PUC-SP. Trabalhou por 18 anos no SENAC São Paulo, nas áreas de administração, e na coordenação de pós-graduação em gestão, turismo e gastronomia.Escreve sobre comportamento, educação e estilo de vida.