O primeiro muro: Uma crônica sobre limites, exclusões e a vida

Essa crônica conta a historia de três vizinhos moradores do subúrbio da cidade de São Paulo na década de 1960. Eram casas de quintais enormes, onde as crianças compartilhavam os quintais, as varandas e as árvores. Não havia cerca, nem outro artifício que delimitavam suas vidas.

Essa harmonia vista dos olhos das crianças, começa a mudar quando, o vizinho do meio, resolve construir um muro de concreto, algo, não tão comum naquelas redondezas.

Muitos da vizinhança poderiam se questionar, se aquele muro se fazia necessário, afinal, era uma região pacata, não havia história de roubos, ou assaltos, apesar de ser um bairro de São Paulo.

Mas, seu Antonio, um velho turrão, estava determinado a delimitar o seu espaço, ele sempre foi incomodado com a “invasão” do seu espaço, bem como seus filhos, se misturar com aquela ralé, como ele sempre resmungava.

O quintal central, era figura primordial para a harmonia daquelas crianças, afinal, ali, estava plantado os pés de mangueira, goiabeira e uma laranjeira, nomes que soavam como paraíso para aquelas crianças.

Mas, o muro, conforme se construía, criava um mundo particular, que aguçava os sonhos daquelas crianças.

Instaurava em seus corações, a aflição do fruto proibido e, a interrupção dos dias de todas as suas vidas.

Por ironia do destino ou não, aquelas crianças, anos depois, já adultas, não se importavam tanto em criar seus filhos em ilhas de condomínios, afinal, eles, já adultos, não queriam que seus filhos se misturassem com as crianças do outro lado do mundo.