Ricardo Eletro: Um passo maior que a perna?

Para os paulistanos, a Ricardo Eletro, é aquela loja conhecida somente pelas propagandas na televisão. Em um tom exagerado, como se fosse, a uma oportunidade de um bom negócio, um locutor entusiasmado, anuncia uma grande promoção de móveis.

Apesar disso, a rede varejista, que não conseguiu entrar no maior mercado de compras do país, tem forte presença no interior do estado, bem como nos estados do Rio de Janeiro, Bahia e Minas Gerais.

As engrenagens de uma máquina cheia de dívidas

Terceira maior rede varejista de eletrodomésticos e eletrônicos do país, grupo controlado pela Máquina de Vendas. O holding engloba as redes Ricardo Eletro, Insinuante, City Lar, Salfer e Eletro Shopping.

Quando da fusão dessas lojas, muitas delas fortes regionalmente, mexeu com o mercado varejista. Afinal, naquele momento formava-se a maior rede varejista em numero de lojas do país. A “nova” Ricardo Eletro chegava ao mercado e movimentavam as peças de um jogo de tabuleiro, que conta com gigantes como Casas Bahia e Magazine Luiza.

Com promoções ousadas como o saldão Ricardo Eletro, que pode ser visto no site de promoções Promoo!, a empresa fez um grande barulho mercado.

O Grupo Máquina de Vendas, foi formado no ano de 2010, com a união das lojas  Insinuante, Ricardo Eletro e City Lar. Em seguida viera as fusões com a Eletro Shopping e Salfer.

O modelo de negócio consistia em unir forças estratégicas, marketing, logística infraestrutura em uma mesma sinergia. Cada loja continuou atuando com suas próprias marcas em separado.

Houve casos de concorrências internas como na capital Salvador, onde haviam lojas Ricardo eletro e Insinuante, disputando a preferência do público.

A partir de 2016, a grupo resolver  deixar de utilizar regionalmente suas marcas “City Lar”, “Eletro Shopping”, “Insinuante” e “Salfer”, fortalecendo nacionalmente a marca Ricardo Eletro.

Em meio às fusões, mudança de nome, fechamento de lojas e estruturação dos negócios. Bem como, a economia brasileira que, passou por diversas estabilidades nos últimos anos, interferiram nos planos do grupo.

Tudo isso somando há algumas estratégias que não surtiram efeito, bem como mudanças recorrente no comando do grupo, essa nova gigante do mercado, foi aos poucos apequenando.

Ricardo Eletro: Um gigante do varejo em busca de novos donos

O mercado varejista de eletrodomésticos pode ser muito volátil, quanto da fidelidade do consumidor. Mudar o nome de marcas consagradas regionalmente, pode ter sido a melhor saída, quando o assunto, é gestão. Mas isso, não resulta na manutenção do publico fiel a nova marca.

A saúde financeira do grupo, passa por grandes dificuldades, chegando a ter uma dívida de R$ 1,5 bilhão  junto ao bancos.

Com uma dívida astronômica em um mercado em crise, bem como a redução de crédito junto aos seus principais fornecedores, a Ricardo Eletro, encontra dificuldade para continuar oferecendo produtos com preços competitivos.

Em 2018, surgiu a notícia que o grupo, busca um novo comprador. Esse novo dono, terá a tarefa de reduzir as dívidas, reestruturar a gestão dos negócios e conquistar novamente o mercado.

Entre as empresas que surgiram como possíveis interessadas na compra da Ricardo Eletro, estão a Amazon, maior e-commerce do mundo, que busca crescer no mercado brasileiro.

Também surgem no mercado o nome da gigante chilena Falabella, que há alguns anos, está de olho no varejo brasileiro de eletrodomésticos. O grupo já atua no mercado brasileiro no segmento de materiais de construção e acabamentos, por meio das marcas Dicico e Sodimac.

Fusões, um grande passo para as pernas certas

O mundo corporativo, é cheio de fusões e aquisições. Os motivos para essas fusões, são diversas. Desde o domínio ou a um mercado, manutenção, a eliminação de concorrente, unificação de forças etc.

Apesar de muitos casos bem sucedidos, há também aquelas aquisições, que provocam um efeito inverso ao grupo, podendo levar uma organização a falência. Entre os exemplos de empresas que foram adquiridas e não tiveram sucesso, estão marcas ainda lembradas pelos consumidores como a Mappin, Mesbla, G. Aronson e Arapuã.

Por: Davi Sant Anna 134 Artigos Contato
Formado em psicologia, e pós-graduando pela COGEAE - PUC-SP. Trabalhou por 18 anos no SENAC São Paulo, nas áreas de administração, e na coordenação de pós-graduação em gestão, turismo e gastronomia.Escreve sobre comportamento, educação e estilo de vida.