Você provavelmente já viu o vídeo hit da internet Tapa na Pantera. Pois bem, este vídeo foi realizado por um trio, do qual Esmir Filho fazia parte. Formado em cinema pela FAAP, Esmir realizou interessantes curtas-metragens posteriores a seu vídeo de uma senhora dialogando a respeito de sua relação com a maconha. Um deles, Alguma Coisa Assim, teve o roteiro premiado em Cannes.

Análise do Filme – Os Famosos e os Duendes da Morte

Agora, Esmir estreia com seu primeiro longa-metragem e, de cara, já venceu o prêmio máximo do Festival do Rio, no final do ano passado. De fato, após ver Os Famosos e os Duendes da Morte, é impossível não ficar surpreso, afinal, um jovem cineasta brasileiro de 26 anos realiza, em seu primeiro longa, uma incrível e sensível obra-prima, sendo uma das mais brilhantes estréias já feitas no cinema nacional.

Baseada em livro de Ismael Caneppele – que também co-assina o roteiro e viveu na região retratada – ,a trama se passa em uma região isolada no Rio Grande do Sul, formada por pequenas cidades cujos habitantes são descendentes de germânicos e levam uma vida pacata, ainda muito rural e ligada às tradições européias.

Neste mundo à parte, vive um garoto, grande fã de Bob Dylan, que se sente deslocado no lugar onde vive, é muito diferente de tudo que está à sua volta.

Uma das coisas que esse garoto mais faz é ficar na internet, onde ele tem a chance de se conectar com o mundo, de ser outra pessoa, de ir além.

O filme se centra em dois dias da vida do garoto, enquanto ele sonha em ir ao show de Dylan e uma figura misteriosa volta à cidade e faz com que ele entre em uma jornada de descobrimento sobre si mesmo e vá para um mundo além da realidade.

O filme é brilhante em vários aspectos. É tocante a sensibilidade e a extrema inteligência com que o filme retrata os personagens e os desenvolvem. Sentimos a essência de cada um deles, somos tocados por seus dramas, suas sensações.

Outro ponto forte é que Emir sabe como usar imagens e sons para contar uma história de um jeito mais livre, mais poético, nada tradicional. As sensações do protagonista e seus pensamentos nos são passados de forma imagética e sonora de forma nada óbvia, sem precisar ser claramente dito, de forma que nós entremos na história e reflitamos com ela.

Não é um filme em que você só recebe informação, tampouco um daqueles que basta assistir uma vez. É incrível, como após um novo olhar, você percebe que há muito mais ali do que você verá, que, na verdade, o ponto central da trama não é só o deslocamento do protagonista, mas outro aspecto muito importante na vida de um adolescente.

A fotografia é de encher os olhos e encantar qualquer um, bem como a trilha sonora, de autoria de Nelo Johann, compositor e cantor sulista, até então quase desconhecido. O elenco, todo formado por pessoas também da região, surpreende. Henrique Larré como o protagonista sem nome é um grande achado.