Crítica do filme – Um Lugar Qualquer

Por: Elton Almeida: Sendo filha de um dos mais prestigiados cineastas americanos vivos, Francis Ford Coppola – de O Poderoso ChefãoA ConversaçãoApocalypse Now –, Sofia Coppola foi criada em um mundo de celebridades, artistas, a vida de Hollywood e todos os encantos e desencantos.

Provavelmente por isso ela é tão interessada na “criança privilegiada”, alguém nascido e criado em um mundo que muitos desejam, como a rainha Maria Antonieta, o ator Bob Harris, de Encontros e Desencontros.

O curioso é que a diretora e roteirista lança sempre um olhar desencantado sobre esses mundos, ao invés do deslumbramento, sentindo pena de seus personagens por estarem ali e interessando-se pela forma como eles conseguirão superar as adversidades de seu ambiente.

Crítica e análise do filme Um Lugar Qualquer

Com certeza, deve ter sido algo que ela viveu durante seu crescimento, à sombra do pai.

Em seu novo filme, Sofia volta a retratar a vida nos hotéis, pois, como ela mesma disse em entrevistas, esses lugares a interessam muito já que viveu grande parte de sua vida neles, descobrindo todo tipo de gente e situações.

Um Lugar Qualquer acompanha um ator americano encrenqueiro, que leva uma vida de excessos e vive no famoso hotel Chateau Marmont, em Hollywood. Com a inesperada visita de sua filha de onze anos, ele é forçado a rever sua vida e suas atitudes, bem como sua relação com a filha.

As semelhanças com Encontros e Desencontros são perceptíveis e muitos até as acham inaceitáveis. Confesso que elas não me incomodam, nem as acho tão demasiadas, embora seja fato que Um Lugar Qualquer Encontros e Desencontros são filmes “irmãos”, por assim dizer.

Sofia se mostra mais uma vez extremamente habilidosa em retratar o vazio humano, o tédio, a vida sem sentidos, a busca por uma razão, assemelhando-se muito com o cineasta italiano Michelangelo Antonioni, a quem ela confessadamente admira.

Com muita delicadeza ela tece longos planos contemplativos do cotidiano de seu protagonista, que evidenciam de forma gritante seu fastio, suas atitudes sem objetivos, sua “falta de vida”.

A chegada da filha proporciona-lhe, então, momentos que lhe permite refletir sobre si mesmo.

Crítica e análise do filme Um Lugar Qualquer

Resumo do filme Um Lugar Qualquer

Coppola segue o filme com longos planos gerais, com elevada duração, preocupando-se muito mais em compreender seu personagem e retratar sua vida do que em tecer uma trama e encadear cenas que levam umas às outras.

Aqui temos um tipo diferente de roteiro, brilhante à sua maneira. A diretora triunfa também ao conseguir que nos identifiquemos com um personagem de difícil identificação.

Sua sensibilidade ao compor as cenas, os planos, as seqüências aposta em um desenvolvimento silencioso, confiando muito mais na sensibilidade do espectador para absorver aqueles momentos.

Assim, é surpreendente como, ao final do filme, pode-se sair extremamente tocado ou mesmo arrasado por aquele retrato e surpreso, pois o filme nunca nos força diretamente a nada, nunca nos chacoalha ou nos choca de frente.

Igualmente surpreendentes são as performances de Stephen Dorff e Elle Fanning.

Ele, vindo do programa de TV Jackass, tem a performance de sua vida, compondo o protagonista da melhor maneira possível, extremamente convincente e mergulhado no personagem.

Ela, irmã mais nova de Dakota Fanning, apesar de jovem, está extremamente adequada ao papel, muito carismática e graciosa e com uma química inabalável com Dorff.

Ficha ténica:
Nota: 9
Nome: Um Lugar Qualquer.
Somewhere. EUA, 2010. De Sofia Coppola. Com Stephen Dorff, Elle Fanning. Drama